Nunca é o fim.


Há já algum tempo que não sei o que é sentar-me e escrever. Deitar para fora o que sinto, o que vai cá dentro, o que me tortura, o que me faz feliz. Já há algum tempo que não tinha verdadeiramente tempo para isto e para mim. A vida muda. O tempo muda com ela. Há dias em que não tens tempo para nada, noutros tens demasiado tempo livre. Mas o que nunca muda é o amor que temos pelas coisas, como escrever. Está intrínseco e há dias em que sinto falta de ter o computador ligado e escrever. Há noites em que me deito e surgem mil e uma ideias. Mas nunca surge a oportunidade de o fazer. A verdade é que muita coisa mudou, talvez possa dizer que para melhor, mas ainda muita coisa está para mudar e não sei com que frequência continuarei a fazer isto. Há coisas que ficam pendentes, temporariamente, porque a vida nos traz outras. Mas nunca são esquecidas. Quem sabe daqui a uns tempos não haja um novo livro cá fora, uma nova história para contar, uma nova vontade de libertar, mas quem sabe… não haja. Há coisas que não controlo e escrever diariamente tem sido uma delas. No entanto, continua a ser o sonho de uma vida. É o sonho que nunca deixarei. Vai comigo onde quer que vá. Porque é o que me carateriza. Todos sabem. O objetivo mantém-se e será sempre o mesmo: escrever por mim e para os outros. O objetivo é saber que, um dia, algures, mudei a vida de alguém ou a sua forma de pensar e encarar a vida. Se calhar até já aconteceu. Mas o objetivo é sempre mais. Querer sempre mais. Qual é a sensação de saber que tivemos o poder de tornar melhor a vida de um ser que nem sequer nos conhece? É isso que quero e pretendo descobrir. E não há vitória, sem luta, nem derrota, sem persistência, que me faça ficar por aqui. Porque nunca é o fim. É sempre o começo ou recomeço. Depende do número de pausas que fazes. Depende do número de vezes que tentas. Depende do número de vezes em que estás disposto a arriscar. Porque nada muda contigo sentado no sofá, acredita. Nunca é o fim.

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