Diz-me. O que sentes?

Há dias em que sinto saudades de quando me sentia importante para alguém. Sabes aqueles dias em que as pessoas te provam que não estão contigo só por interesse? Aqueles dias em que te provam gostar de ti mesmo com todos os defeitos? Que te provam que os erros do passado não te definem como pessoa? Aquelas pessoas que te provam que são diferentes e não te vão magoar? Aquelas pessoas que te provam que vão ficar ao teu lado, independentemente dos erros e do tempo que passe? Sinto saudades do tempo em que achava que essas pessoas eram muitas na minha vida. Mas fui-me apercebendo que nem todos ficam. Nem todos te perdoam. Nem todos te aceitam. Nem todos te veem como alguém que merece respeito. Nem todos te querem bem. Nem todos te aguentam. E nem todos te vão dizer que gostam de ti, que são teus amigos e que vão estar contigo sempre que precisares. Deixei de acreditar no para sempre há muito tempo, mas acredito que há pessoas que ficam connosco o sempre necessário para mudarem as nossas vidas. E tu, que fazes parte da minha vida agora, se tens algo para me dizer que eu não saiba: diz. Eu aceito. Mas lembra-te: nunca te deixei entrar, para que fosses embora cedo. Se te deixei entrar na minha vida e de tudo o que dela faz parte, é porque acreditei em ti. Se te contei o pior de mim, é porque confio em ti. Se te aceitei, é porque te entendi e conheci. Não deixes que os erros, o tempo, a distância, te apaguem da vida daqueles de quem gostas e de que, de algum modo, fizeram parte da tua história e te ajudaram quando precisavas. Porque é isso: valorizar. Valorizas todos os que te rodeiam? Eles sabem disso? Quantas vezes querias dizer-me que até me toleras e que gostas de mim e não o fizeste? Quantas vezes querias ser diferente com os que te rodeiam e não foste porque tiveste medo da rejeição? Quantas coisas já deixaste por dizer a pessoas que precisavam de as ouvir? Eu sei. Também sou igual. Nem sempre te digo, amigo/a, que tenho orgulho em ti. Que gosto de ti. Que estou contigo até onde o sempre deixar. Que vou contigo para onde precisares. Que tens a minha mão para puxar quando precisares. Que tens o meu abraço para fugir do mundo. Que tens a minha paciência para desabafar. Que tens o meu colo sempre que quiseres chorar. Que tens o meu apoio se fizeres certo ou errado. Que nunca te vou julgar. Porque também não gosto que o façam comigo. Tudo isto porque sinto saudades de ser importante para os que me rodeiam. E não falo de família. Porque esses sei que estão comigo, sempre. Esses nunca mudam. Falo dos amigos e das amigas. De todos aqueles que podem fazer a diferença na nossa vida, além da família. Sinto saudades de quando me mostravam que eu era importante. E questiono-me: o que sou hoje para ti? O que sentes hoje por mim? Até quando estás disposto a aguentar-me? Diz-me. O que sentes?


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