Dois anos!

Faz hoje dois anos! É verdade! Já lá vai tanto tempo e, para mim, muitas vezes, penso que foi ontem. Naquele dia, ninguém me parava ou derrubava. Ninguém me tentou sequer deter. Era tudo o que eu merecia e necessitava. Tive tudo o que desejava. Tive tudo o que sonhava. Tive todos que amava. Estava lá toda a gente. Desde os conhecidos, a desconhecidos e pessoas que levo para a vida. Tantos momentos me marcaram naquela noite. Porque foi como eu imaginei. Tinha planeado tudo, dos pequenos aos grandes pormenores. E aconteceu tudo como devia ter acontecido. E não me arrependo, nem um pouco. E ainda me lembro dos elogios e críticas que recebi naquela noite e nos dias que a seguiram. E aceitei tudo, porque é assim que um autor cresce. Saber ouvir, para saber escrever, para saber transmitir, para fazer os outros sentir. E foi por causa de muitos dos que ainda estão comigo, que naquele dia fui feliz. Estavam lá os meus pais, que amo do fundo do coração, que lutam por mim e pela minha irmã, sempre para nos fazer felizes. E estava lá a minha irmã, por quem faço tudo, que sei que me admira, mesmo por detrás das nossas brigas. E os meus amigos, uns que ainda hoje tenho comigo e outros que se foram, porque a vida lhes deu outros caminhos ou porque eu deixei d fazer parte das suas necessidades. E aceito isso. E os meus professores, uns do 1°ciclo, outros do 2°ciclo, outros do 3°ciclo e os do Ensino Secundário. Ainda hoje destaco essas presenças naquele dia, porque só podia significar uma coisa: acreditavam em mim e no meu valor. Significava que, de alguma maneira, fui importante nas suas vidas profissionais. Não me lembro de ser o exemplo de aluna exemplar, mas sempre me esforcei e dei o máximo em tudo o que fazia e acho que é isso que reconhecem em mim. E alguns familiares, que sabem que, no fundo, mesmo que eu ficasse famosa, jamais me esqueceria que a família vem em primeiro. E lá estava eu, por fim. A figura central daquela noite. Estavam todos ali por minha causa. Eu tinha feito algo histórico na minha vida e todos estavam lá para ver. E eu que achava que não tinha feito grande coisa, fui comparada a Saramago ou Pessoa (? Já não me recordo bem.) E fui descrita como alguém que sabe que "a vida é um espetáculo imperdível". E se é. Desde aquele dia, soube-o. É mesmo imperdível. Mas também não me esqueço e não deixo que outros esqueçam que posso ser uma mulher de armas, mas jamais serei deita de ferro. E, como tal, venho agradecer-vos, mais uma vez, dois anos depois. Obrigada a todos os que ajudaram a tornar aquele dia possível. Obrigada a todos os que estiveram presentes. Obrigada aos que queriam ter estado e não podiam, porque continuam no meu coração. Obrigada a todos que leram o meu livro. Obrigada pelos elogios e críticas. Obrigada a quem, acima de tudo, me faz feliz todos os dias. Não chegaria aqui sem vocês, os que permanecem, os que se foram e os que chegaram à minha vida. Serei eternamente grata. E, se um dia, lançar este ou outros livros de forma tão famosa que me vejam nas televisões e revistas, não se preocupem. Eu sei de onde vim e de onde venho, só nunca saberei para onde vou.

Mais uma vez, um obrigada, de coração.

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