Ainda hoje não sei o que aconteceu

Nem eu sei como me senti. Há dois anos, apanhei o maior susto da minha vida. E ainda hoje não sei o que aconteceu. E, sim, nem eu sei como me senti. Mas sei como reagi. Como encarei a situação daí em diante. Sei o que aprendi. E o que não aprendi. Não me lembro de muito, mas aquilo que lembro? Assusta-me. E não é pouco. Mas não pude desistir. Não deixei que mudasse a minha vida. Claro que no mês que se seguiu, mal conseguia dormir, vivia com medo e outra infinidade de coisas. Mas depois concluí que não podia deixar que um momento, que nunca mais se repetiu, mudasse a minha vida. Não podia deixar que aquele dia, alterasse quem eu era. Não podia ceder à fraqueza de me deixar ir pela ansiedade. Não podia. Foi isso que eu achei que aprendi com aquele momento, mas era mentira. Passaram meses e quase que deixava que tudo se repetisse. Quase me deixei levar pela ansiedade novamente. Diga-se que quase desmaiei, porque não tinha conseguido atingir um dos meus objetivos. E, acreditem, foi horrível. Sentia o coração ser-me arrancado do peito. Sentia que ia perder os sentidos a qualquer momento. Sentia que ia deixar todo o controlo ir-se. E quase deixei. Desde aí, pelo que me lembro, foram raras as vezes em que voltei a sentir isto. Foram raras as vezes em que me deixei dominar por aquele que é o maior monstrinho da minha vida. A ansiedade. Não, ainda hoje não aprendi a lidar bem com ela. Sei como controlá-la, mas nem sempre consigo. Diga-se de passagem, todos dizem que somos loucos por estarmos a viver uma depressão, mas é mentira. Não me sinto louca por isso. Sinto-me forte, capaz, lutadora. Porquê? Porque todos os dias temos de lutar para vencer aquele pedaço de nós que quer destruir-nos o bom da vida. Todos os dias temos de lutar contra a ansiedade e nem sempre conseguimos. Mas somos fortes, porque continuamos a tentar, sempre. E é isso que vivo. Vivo sempre a tentar combater a ansiedade. A fazer o melhor que posso para me esquecer de que ela pode dominar-me a qualquer momento. E, acima de tudo, tenho de fazer o melhor que consigo para eliminar os pensamentos negativos da minha cabeça. Porque esses são os meus maiores inimigos. Os de todos nós. Acreditem. Não há nada que possa ser tão nosso inimigo como são os pensamentos negativos. Sei disso. Mas nem sempre consigo combatê-los. Porquê? Porque muitas vezes teimam em ser mais fortes do que nós. Mas não merecem sê-lo. Os pensamentos negativos destroem-me. E destroem-vos. E para quem sofre de ansiedade? Ainda pior. São o melhor alimento que ela pode ter para nos destruir. E custa tanto, por vezes, eliminá-los. Eles juntam-se à ansiedade para tentarem ser mais fortes do que nós. E, às vezes, conseguem. E isso é o nosso maior problema. Como lutar com eles? Odeio-os. E odeio que se intrometam na minha vida. Odeio que me destruam o que de melhor tenho: a minha sanidade mental. E, a cada dia que passa, a minha luta tem sido essa: lutar contra eles. Lutar contra a ansiedade e contra os pensamentos que a alimentam. Lutar contra aquilo que não faz falta nenhuma na minha vida. Porque acreditem, o meu maior medo é ser impedida de fazer o que amo e sonho por causa da ansiedade. Viver em depressão custa, mas todos somos capazes de diminuir a dor, contornar o sofrimento, lutar contra ele. Basta tentar, lutar, aguentar. Não desistir. E, ainda hoje, mesmo não sabendo o que me aconteceu naquele dia por causa da ansiedade, luto para vencer a depressão. Ainda hoje, luto para eliminar as coisas más da minha vida, Não vou dizer que tem sido fácil e que tenho conseguido, mas tenho dado o meu melhor. Porquê? Porque faço-o por mim, para mim e para o meu futuro. Porque eu mereço. Eu mereço viver a vida sem medo que a depressão me faça cair no próximo degrau. Todos merecemos. Mas é devagar que tenho subido. É devagar que tenho lutado. Porque tenho todo o tempo do mundo. E vou vencer. E espero que tu, se a vives também, que a superes. Espero que tu venças a depressão. Espero que queiras vencê-la tanto como eu quero. Porque nós merecemos. A depressão é só um semáforo vermelho, que nos pára, por algum tempo. E é nossa missão torná-la um semáforo verde. Porque, no fim de contas, queremos avançar no caminho, não é verdade? 

E lembra-te: há sempre uma luz no fundo do túnel. 




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