Por vezes, dou comigo a pensar na minha vida como se fosse um filme. Mas qual filme iria defini-la? Não faço ideia. Não existem príncipes encantados. Não existem versões "melhores" de um Shrek. Não existem os
bad boys para que alguém os torne sensíveis. Não existem empregos fáceis. Não existem oportunidades fantásticas. Ou se calhar, tudo isto existe. Mas então? Porque é que ainda nada chegou a mim? Porque é que continuo a viver como se estivesse em modo "pausa"? Porque é que nada novo acontece? Questiono-me. E sei a resposta. Porque a vida não é um filme, nem nunca será. E, se algum dia fosse, a minha vida seria um filme chamado... talvez, quem sabe, "O poder da espera". Porque não há nada melhor que eu saiba fazer do que esperar. Eu espero pelo autocarro. Eu espero por notícias boas. Eu espero por pessoas. Eu espero pelas férias. Eu espero pelo jantar. Eu espero para almoçar. Eu espero para tanta coisa, que acho que acabei a esperar pela vida. Mas não só pela vida em si. Acabei por esperar por algo novo. Acabei por esperar por novas oportunidades. Acabei por esperar pelo tempo para conseguir perdoar-me. Acabei por esperar para me habituar ao novo estilo de vida em que me encaixei. Acabei por esperar para conseguir bons amigos. Acabei por esperar para errar. Acabei por esperar para fazer o correto. Acabei por esperar para saber conduzir. Acabei por esperar para saber sorrir. Acabei por esperar para saber ser feliz. Acabei por esperar muito. E continuo à espera. Espero por novos ventos. Por novas tempestades e destruições. Espero por novas alegrias. Espero por outro pôr do sol. Espero por outro passeio à beira-mar. Espero por novas manhãs. Novas tardes e novas noites. Espero por novos dias. Espero pela nova semana. Espero por tudo. Mas, espero, essencialmente, por mim. Não que eu já não esteja com os pés bem assentes na terra, mas... nunca vou estar com os pés bem assentes na vida. Nunca ninguém está. A vida prega-nos partidas, ela é que está com o controlo de tudo. E, por isso, eu espero por mim. Espero que chegue o dia em que eu consiga entender para que nasci verdadeiramente. Qual é o meu propósito? O que devo fazer a seguir? É por isso que espero. E não por um filme. Cansei-me de esperar por esse filme que era suposto a minha vida ser, porque, na realidade, ela nunca será aquilo que eu queria. Mas, mesmo não sendo aquilo que eu queria, pelo menos não é, de todo, o que já foi. E, tudo isto, para dizer-vos que não existem filmes que possam ser traduzidos para a realidade. Nunca. A realidade pode ser um filme, mas um filme jamais será a realidade. Entendem? E é por isso que espero. Não pelo filme que é a minha vida, mas pela vida que será o meu filme.
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