É um limite que criei.

Ninguém entende, certo? Ninguém vai fazer um esforço para entender. Eu sei disso. Eu sinto-o. Sinto a falta de compreensão. Sinto o desassossego. Sinto a mágoa. Sinto a dor. Sinto o sofrimento. Sinto as mentiras. Sinto as discussões. Sinto cada palavra. Sinto. Está tão presente. É tudo tão presente. Tão recente. Tão habitual. Tão repetitivo. Mas ninguém vai entender. É como se eu estivesse num mundo diferente dos outros. É um mundo onde não consigo mudar aquilo que sou. Não consigo perder os defeitos. Não consigo deixar de ser teimosa. Não consigo deixar de levar a vida a sério. Não consigo levar assuntos sérios, numa questão de brincadeira. Não consigo deixar que me obriguem a algo que não consigo fazer. Não consigo permitir que defendam aqueles que são os meus piores inimigos. Não consigo permitir que me peçam para desculpar as pessoas que mais me trataram mal na vida. Será justo? Será justo ser chamada de gorda? Falsa? Caixa de óculos? Entre outros... Será justo para uma pessoa ouvir comentários destes? Não. A resposta é não. Mil e uma vezes não. Ninguém merece ser julgado pela forma de ser. Ninguém merece ser falado nas costas. Se queres, diz-me na frente. É de baixo nível. De muito baixo nível. Não consigo perdoar isso. Assim como não consigo perdoar quem apoia essas pessoas. São coisas que magoam demais, porque sempre aprendi a levar essas coisas a peito, como se costuma dizer. E essa é a minha maneira de ser. Não vou mudar porque a ou b querem. Não vou mudar só porque alguém não é capaz de aguentar o meu feitio. Não vou mudar só porque me dizem que estou errada. Porque pode ser o maior erro da minha vida, mas é com erros que aprendo. Sempre foi, porque iria deixar de ser? Não vou desistir da vida, do amor, das amizades, só porque algo correu mal. Quando desisto de algo, é porque não aguento mais sofrimento. É o meu cérebro e o meu coração que não trabalham em conjunto e não se conseguem ajudar. É o meu sistema que não aguenta tanta dor e desilusão e mentira. É um limite que criei. Porque estou cansada. Cansada de sofrer. Cansada de ser magoada. Cansada que não aceitem o meu feitio. Cansada que não entendam. Cansada que não compreendam. Estou cansada que me digam o que fazer, porque eu sei o que é melhor para mim. Pode não ser o melhor no futuro, mas é o melhor agora. Estou a sofrer, porque deixo as coisas arrastarem ao máximo. Há um ponto final em tudo. E este é o meu ponto. Não consigo mais suportar. Não dá. Juro que tento, mas não consigo. É assim que funciono e sou. Não há volta a dar. E não estou disposta a mudar por ninguém ou para agradar a alguém. Se tiver que mudar é por mim mesma e não pelos outros. Se tenho que aprender, que seja com erros e não com acertos. Porque é no errado que encontramos o certo. Não peço que me entendam, só que respeitem as minhas decisões. Não peço que me apoiem, mas que não mencionem os assuntos. Estou cansada, é só isso. E se o erro foi hoje? Não faz mal, pesquei o peixe errado, amanhã será outro. Ou depois de amanhã. Ou daqui a um mês. Quem sabe daqui a uns anos. Não me importo de errar e aprender com os erros. Importo-me de acertar e sofrer com o certo. É a minha felicidade que está em primeiro lugar, nunca a dos outros. É a minha! Nunca será a tua, ou a dela, ou dele. Daquela ou daquele. Não. É a minha. E tudo o que fizer será pela minha felicidade, mesmo que sofra no processo, é com isso que chego ao final que desejo. Eu acredito nisso. E tu? Não queres acreditar? Talvez devesses pensar duas vezes, porque como eu disse: há a oportunidade A e a B, assim como há muitos peixes no mar e nada está perdido só porque hoje correu mal, ou ontem, ou há muito tempo. Há sempre uma esperança para quem luta pelo que acha que o fará feliz.

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