Faz com que valha a pena.

Houve alguém que um dia me disse "Faz com que valha a pena." e a frase ficou a pairar na minha mente. Hoje, olho à minha volta e pergunto-me: porquê? Para quê? Não há nada que agora exista para fazer valer a pena. Querias que fizesse valer a pena a tua ausência? Querias que fizesse valer a pena o teu silêncio? Querias que fizesse valer a pena o vazio que deixaste? Querias que fizesse valer a pena a distância que aumentou entre nós? O que era suposto fazer valer a pena? Por mais que eu tentasse fazer alguma coisa, por mais pequena que fosse, valer a pena, serviria de algo hoje? Não sei ao certo aquilo que querias que eu fizesse valer a pena. Não vejo razão nenhuma que me faça tentar fazer valer a pena. Partiste, não deixaste rasto e agora? O que tenho de fazer na tua ausência? No teu silêncio... No teu desaparecimento... Quero e preciso. Quero a tua presença. Preciso do teu abraço. Quero o teu sorriso. Preciso da tua alegria contagiante. Quero a tua voz. Preciso das tuas histórias diárias. Quero a tua mão. Preciso da tua ajuda. Quero o teu colo. Preciso de ti. És o meu melhor amigo. És o único que me entende: ontem, hoje e amanhã. És a presença indispensável na minha vida. A tua ausência destrói a minha vida. Onde estás? Onde estás quando mais ninguém me entende? Onde estás quando mais nenhum abraço se compara ao teu? Onde estás quando sinto a falta do teu sorriso para melhorar o meu dia? Onde está a tua gargalhada para me fazer sorrir? Onde está a tua presença quando estou sozinha e nada faz sentido? Onde estás? Para onde foste? O que é feito de ti? Preciso de ti. Preciso de notícias. Preciso do teu sorriso, da tua voz, do teu abraço. Preciso do "Vai ficar tudo bem." Preciso do "Não me vou esquecer de ti." Preciso do "Não deixas de me aturar tão cedo." Preciso do "Amo-te, irmã." Preciso do teu aconchego. Preciso, até, que me dês as batatas à boca. Sinto a tua falta. Sinto a falta da tua alegria. Sinto a falta das tuas idiotices. Sinto a falta daquilo que eras ao meu lado. Sinto a falta da tua gargalhada. Sinto a falta das nossas discussões. Sinto a falta dos teus avisos. Sinto a falta das tuas palavras. E, à noite, quando olho para o céu, questiono às estrelas: Onde estará ele? O que estará a fazer? Como é que ele está? E, noutros dias, chego a implorar: Falem comigo. Digam-me. Como está ele? Ele está bem, não está? E quase sem ar, sem respirar, sem piscar os olhos, peço: Tragam-no de volta para mim. Tragam-no para mim. Quero notícias, por favor. E quando os meus olhos se desviam do céu, só tenho um pensamento. Se algum dia voltar, farei com que valha a pena. 

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